segunda-feira - 24, agosto, 2009 | por: Bom Retiro Na Moda

Matéria do Estadão

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Ir a Bom Retiro e Brás é fashion

Coreana lança livro sobre os maiores pólos atacadistas, que investem na sofisticação
Valéria França

Quem vai ao Bom Retiro, no centro de São Paulo, encontra lojas modernas e vitrines bem planejadas – com uma estética semelhante à das badaladas grifes da Rua Oscar Freire, nos Jardins, zona sul. Nas araras, as roupas seguem as tendências da moda e poderiam estar – e às vezes estão mesmo – nos melhores shoppings da cidade. Tem ainda o atendimento. Há comerciantes que esperam os clientes com café da manhã.

O Bom Retiro de hoje não é mais o mesmo centro atacadista de dez anos atrás, época em que os comerciantes se preocupavam em oferecer preços baixos e deixavam de lado o acabamento das roupas , o atendimento e o conforto do cliente. Bairro vizinho e concorrente, o Brás vai no mesmo sentido. “De cinco anos para cá, 80% dos prédios da região foram reformados”, diz Jean Makdissi Junior, diretor do Alobrás, associação que reúne 675 estabelecimentos da região.

Os novos rumos dos dois principais polos atacadistas de roupas do País viraram tema do livro Na Moda (100 páginas, Editora Yamato, R$ 35), que será lançado depois de amanhã. A autora é a sul-coreana Yoo Na Kim, de 27 anos, filha de um casal de comerciantes do Bom Retiro, que desembarcou no Brasil aos 6 anos. “Cresci ajudando minha mãe na loja de armarinhos e vi como a região mudou”, diz a escritora. “Hoje o Bom Retiro é fashion.” Para simbolizar a mudança, a apresentadora e modelo Ana Hickmann posou para a capa e para um editorial que ilustra as tendências do verão nas últimas páginas.

“Não é só uma mudança estética”, diz Yoo Na. “Houve uma profissionalização do setor.” Se antes a prática era copiar os modelos lançados em desfiles e nas principais ruas do mundo, hoje os confeccionistas investem em estilistas próprios que adaptam a tendência internacional ao mercado nacional. É o caso da Cotton Color, loja na Rua José Paulino, projetada por Isay Weinfeld, o mesmo premiado arquiteto que assina o projeto do Hotel Fasano. Também badalados, Brunete Fracarolli e Felipe Crescenti têm trabalhos na região, que desde os anos 20 encontrou sua vocação como polo da moda atacadista.

No Brás, um dos grandes símbolos dos novos tempos é o Mega Polo Moda, grande shopping de moda de pronta entrega, com 400 lojas, um centro empresarial, hotel com capacidade para 300 pessoas, bancos, praça de alimentação e uma rodoviária subterrânea para até 40 ônibus. Por ali, passam 3 mil compradores por dia, muitos deles vindos de outras cidades com passagem paga pelos lojistas. “A concorrência no Brás é muito grande. É preciso oferecer mais do que preço para se diferenciar”, diz Francisco Paiva, 32 anos, dono da Mamô Brasil, com duas lojas no Brás – uma no Mega Polo Moda e outra na rua – e no Bom Retiro. “Ofereço wireless, lounge e computadores disponíveis para acesso. No Brás, as ruas têm até segurança particular, como na Rua Oscar Freire.”

Para Yoo Na, o Bom Retiro deixou de ser um local de roupa barata e o público que vai lá já se acostumou com isso. “No Bom Retiro, o cliente nunca diz que a minha roupa é cara, já no Brás isso acontece direto”, diz a coreana Lilian Song, de 26 anos, com loja nos dois bairros.

A sofisticação, no entanto, não apagou a história. Formados por imigrantes, os dois bairros ainda mantêm as tradições. “Os coreanos adoram nossas burekas (doce folhado)”, diz a judia Ilda Klajman, cujo avô, Jacob Givertz, inaugurou o primeiro restaurante do Bom Retiro. O restaurante não existe mais, mas Ilda se refere aos coreanos que frequentam a Casa Búlgara, da judia búlgara Lona Levi, na Rua Silva Pinto.

Há também filhos de libaneses – como Edson Sallum, de 29 anos, dono da Saraleti, fábrica de cintos e bolsas -, que frequentam o descolado Bistrô da Sara, na Rua da Graça, com cardápio brasileiro. “Judeus, coreanos, libaneses e gregos convivem bem aqui”, explica Georges Zilios, de 23 anos, professor do Instituto Educacional Ateniense da Coletividade Helênica de São Paulo. “Aproveitam o que cada cultura oferece de bom.”

O COMÉRCIO

BOM RETIRO

R$ 2 bilhões
é o que movimenta o mercado da região por ano.

70 mil pessoas
passam por ali por dia, sendo que, no final do ano, o movimento chega a ser 50% maior

1,2 mil lojas
funcionam no bairro

BRÁS

R$ 9 bilhões
é o volume de negócios por ano

300 mil
pessoas circulam diariamente

6 mil lojas
se distribuem em 54 ruas

Veja o link

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